segunda-feira, 25 de julho de 2011

Check out.

Hoje vou desfazer minhas malas. Depois de três anos e onze meses vivendo com malas semiprontas, vou esvaziá-las completamente. Vou guardar minha necessaire, meus cremes no armário, meu perfume na estante, minhas meias e roupas íntimas na gaveta, meu secador, pijama e havaianas no guarda-roupa.

Não é que eu nunca mais vá viajar. Mas vou deixar essa “vida louca de viajante”, para ter uma “vida normal”. De pessoa que trabalha de segunda a sexta em horário fixo, mas com alguns plantões nos finais de semana (afinal, vida de jornalista nunca vai ser tão normal assim!).

Em quase quatro anos, viajei por todo o Brasil. Conheci estados, cidades, culturas, sotaques e pessoas que eu jamais conheceria de outra maneira. Acumulei mais de 100 mil milhas voadas por esse país. Andar de avião passou a ser uma coisa tão comum, que as vezes nem via mais a aeronave decolar. Acordava no meio do voo e nem sabia se já estava voando, ou se ainda estava no chão. Inclinar a poltrona depois da decolagem e voltar pra vertical na aterrisagem era um movimento automático enquanto eu seguia dormindo. Medo de voar? Sem chances.

Andei milhares de quilômetros de carro. 300, 400, 500km, normal. As vezes eram 800. Dormir, ler livro, ouvir música, conversar. E ainda assim sobrava tempo. Era estrada que não acabava mais.

Passei noite mal dormidas, outras nem dormi, mas também dormi dias inteiros recuperando o sono perdido. Conheci hotéis de luxo, resorts incríveis e outros nem tanto assim. Conheci os cartões postais mais famosos do Brasil e outros lugares desconhecidos, mas não menos importantes e bonitos para a riqueza de cultura que adquiri.

Tomei banho de cachoeira, fui à parques aquáticos, piscina artificial, de águas quentes, praias paradisíacas, lugares desertos e com multidão. Fiz novos amigos, me diverti, trabalhei e cresci muito. Vi, conheci e aprendi de tudo um pouco.

Mas nessa vida nada é pra sempre. Eu queria que essa hora chegasse. E sabia que, mais cedo ou mais tarde, de uma forma ou de outra, ia chegar. Eu sabia que era uma fase, que essa vida cigana um dia, uma chegar ao fim. E chegou. Quando eu queria que essa hora chegasse, parecia que demorava tanto, que nunca ia parar... e hoje, olhando pra trás, eu vejo que passou tão rápido. Mais uma prova de que Deus planeja tudo no tempo certo, na hora certa.

Sou ansiosa, sempre quero mudar, quero aprender, eu quero sempre mais. E, como Guilherme me diz, “o homem não pode se esgotar, jamais”. Chega uma hora em que a gente muda os conceitos, quer outras coisas. Eu quero ter uma rotina, poder fazer um curso, ir a igreja, a academia. E voltar pra casa todo dia e dormir na nossa cama vale mais que qualquer adicional de viagem. E é isso o que eu vou viver, a partir de agora. E a próxima?! Quando, como e onde for, só Deus sabe!

Agora eu vou curtir essa... Feliz nova fase!

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